segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Crítica - Cinema e Variedades assistiu: O Jogo da Imitação


Assista ao trailer antes de ler:


Com estreia no Brasil datada de 5 de fevereiro de 2015, "O Jogo da Imitação" ("The Imitation Game") é uma cinebiografia baseada no livro do inglês Andrew Hodges, "Alan Turing: The Enigma". O filme conta os bastidores da vida de Turing, considerado hoje em dia o pai da Ciência da Computação, dentre outros importantes conceitos tecnológicos.


Ele participou de uma equipe de estudiosos em um projeto da Inteligência britânica durante a Segunda Guerra Mundial, o qual tinha como objetivo quebrar os códigos da máquina alemã chamada Enigma, que além de ser a mais avançada ferramenta criptográfica de sua época, era a base das comunicações das forças de Hitler e considerada insuperável. Turing era um jovem matemático de 27 anos de idade com uma genialidade a frente de sua época. Porém, possuía problemas de comportamento e era homossexual não assumido. Essa última condição o tornaria um criminoso perante a lei inglesa. Dentro da equipe, o mesmo era contrariado por propor um método não convencional para o problema: a construção de uma máquina para vencer outra. Além de ter que provar para os outros que era capaz de superar o desafio proposto, Turing tinha que lidar com seus problemas pessoais. A história mostra uma reviravolta que mudou os acontecimentos da Guerra e foi fundamental para a vitória dos aliados.

Christopher, o primeiro computador moderno

A proposta deste post não é dar spoilers, mesmo com o fato de o filme já ter sido lançado há quase um ano e ser baseado em fatos reais. A intenção deste texto é dizer o quanto o filme é ótimo e satisfatório, no que diz respeito a contar detalhes que existiram por trás do front de batalha da Segunda Guerra, deixando o espectador ciente de que um dos fiéis que ajudaram a favorecer a balança para as forças aliadas foi o fato de a máquina criada por Turing, chamada de Christopher, atingir o seu objetivo e superar a criptografia alemã. O filme mostra o nascimento da computação.

Pode não parecer muito empolgante este tipo de história, mas se não fosse gênios como Alan Turing, eu não teria escrito este post e você não estaria lendo-o, pois dificilmente teríamos computadores, notebooks, smartphones e tablets em pleno o ano de 2016. Turing não foi apenas um matemático com a inteligência acima da média, ele é o pai da computação moderna e acabou criando conceitos que são a base da evolução tecnológica nos dias de hoje, tais como, a máquina de Turing (estudada na  formação acadêmica da área de TI), o Teste de Turing (uma das base da Inteligência Artificial) e o Algoritmo (base dos códigos-fonte).


Só sabemos  desse fato hoje em dia, pois a inteligência britânica desclassificou os documentos atinentes ao projeto da época, que eram confidencias por ser risco tanto para soberania inglesa quanto para a dos países aliados. Infelizmente, como era homossexual não assumido, Turing foi acusado de conduta indecente e condenado a escolher entre a prisão e a castração química. Essa última foi a sua escolha.


Alan Turing faleceu em 7 de junho de 1954 e até hoje há controvérsias sobre a causa de sua morte ter sido suicídio ou envenenamento. Por pressão de ativistas da área tecnológica, de políticos e da causa LGBT, em 11 de setembro de 2009, o governo britânico pediu oficialmente desculpas pelo preconceito e conduta que levaram ao falecimento precoce de Turing.


Se com 41 anos de vida Alan Turing conseguiu impactar o campo da computação, imagine se ele pudesse ter vivido normalmente até a sua velhice? Que tipos de equipamentos teríamos hoje em dia? Não se pode esquecer esse tipo de acontecimento que, por causa do preconceito, abreviou a vida de um dos maiores gênios da Humanidade. Quantos outros seres humanos foram excluídos por causa desse tipo de fato. É um caso para se refletir.

Foto de Alan Turing

O filme tem em seu elenco Benedict Cumberbatch (Alan Turing), Keira Knightley (Joan Clarke), Mathew Goode (Hugh Alexander), Rory Kinnear (Detetive Robert Nock), Mark Strong (Stewart Menzies), Charles Dance (Comandante Denniston) e outros. Ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, o longa ainda concorreu nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante.

Estátua de Alan Turing

domingo, 3 de janeiro de 2016

O eterno "mimimi" dos supostos eleitores do PT VS os supostos eleitores do PSDB: Brasil, um país fácil de enganar.


Um movimento interessante está ocorrendo no Brasil desde as últimas eleições e pode ser o início de um amadurecimento da população. A evolução da coletividade sempre vem acompanhada de altos custos e perdas na parte de inter-relacionamento pessoal. Mas como todo recém-nascido, antes de criar bons frutos, haverá uma enorme produção de "merda" gratuita, mas que são resultado de uma alimentação. Como diz a lógica: não podemos evacuar o que não nos alimenta.

A verdade sobre quem seria melhor para o Brasil é algo subjetivo, pois, na época, a Dilma teve 4 anos para fazer algo como presidente, somando aos 8 anos que o Lula esteve no cargo, e nada fez de novo ou inédito. Da mesma forma o Aécio tem um mandato de 8 anos como senador, do qual já cumpriu 4, e também nada fez de interessante. Os fatos incontestáveis são que independente de quem ganhasse as eleições, nada fariam de útil para o país, pois dependemos do Congresso Nacional para tudo. O agravante é que não havia um candidato neutro ou equilibrado. Quem manda no país é o Congresso e na maioria dos atos o presidente só dança a música (que isso fique de aviso para quem pensa que Bolsonaro seria um ótimo presidente). E ainda abro aspas para dizer que, em minha opinião pessoal, essa urna não é confiável.

Após as eleições presidenciais muitos fatos ocorreram, incluindo a Operação Lava-Jato e adjacentes, o efeito Eduardo Cunha, a ameaça do processo de impeachment, dentre outros. A principal mudança que houve no país, e, nesse aspecto não darei mérito para ninguém, foi um somatório de políticas federais, estaduais e municipais, onde as classes mais pobres ganharam um acesso maior a alguns bens e serviços. Isso só ocorreu porque algum grupo iria ganhar muito dinheiro com isso. Falta uma política de fiscalização aos benefícios e algumas para criações de postos de trabalho. Em contrapartida, a classe média perdeu poder aquisitivo e uma parcela dessa, a qual não está acostumada a passar apertos financeiros, está sentindo na pele o que é ter que cancelar projetos por falta de dinheiro ou ausência de políticas que os contemplem. A classe média está para o PT assim como os funcionários públicos estavam para o PSDB. Fora 8 anos de congelamento nos salários em prol de um bem maior: a estabilização da economia; e agora será um período igual ou maior para que a classe que antes estava por cima, desça para meio da pirâmide. O PT está pegando mais de um alvo: funcionarismo público, setor privado, classe média, pobres, etc., todos estão sendo prejudicados. Inocente é quem acha que a alta do dólar não é proposital e só prejudica gente rica.

O pobre como está calejado e acostumado a passar por apertos temporários, muitas das vezes não enxerga o que está acontecendo no mundo macro-econômico. Na minha visão utópica, deveria haver crescimento para todos sem prejudicar quem já havia alcançado certo patamar. Mas como eu disse: na minha visão utópica. No mundo real, alguns sempre estarão no topo e subjugarão os demais. Por este motivo os serviços públicos estão sucateados, principalmente os três básicos: saúde, educação e segurança. Estamos vivendo a fase do afogamento: quem está se afogando quer puxar alguém para afundar junto (uma parte por desespero, é claro, mas nesse caso político, há o egoísmo).

Sucateando a educação pública e desvalorizando os profissionais dessa área, por exemplo, aumenta-se a demanda para o setor privado da educação. Nada contra esse setor, mas não são todas as famílias que podem pagar uma educação nessa modalidade. Eu concordaria se não pagássemos tantos impostos, mas como pagamos, deve-se cumprir o que está na CF.

Da mesma forma, estão desmoralizando os profissionais públicos da saúde para que os mesmos iniciem um movimento que beira à postura de mercenários: trabalha-se para quem paga melhor, mesmo que possua matrícula pública (não são todos). O que houve? Existem milhares de clínicas particulares que cobram valor por consulta e os exames mais diversos a preços estratosféricos. Há também as que cobram os preços "populares". Mas vamos ser honestos: quando a necessidade é por um procedimento caro, ninguém vai dar desconto. Nesse aspecto a saúde pública é importante.

Na segurança pública, quando se mexe na carreira militar ou civil, impacta-se a maneira de combate aos mais diversos crimes. A meta é desestimular a área para fortalecer os crimes e aumentar o número da população carcerária, de pessoas mortas (dimdim para funerárias), de pessoas que necessitem de intervenções cirúrgicas (acidentes, balas perdidas, etc.), de pessoas viciadas (haverá uma multiplicação no número de clínicas de reabilitação particular) entre outros aspectos. O resultado é a saída da mão de obra qualificada para outras carreiras. Nisso o estado perde experiência e força para atender ocorrências e efetuar operações.

Enfim, são vários aspectos e o país está um caos. Quem acha que somente uma classe está sofrendo, não está vendo além do próprio umbigo. É a postura do "quero mais que se f*da os outros" ou "farinha pouca, meu pirão primeiro". Afinal, não é de hoje que se utilizam a tática do "dividir para conquistar". Dessa vez estão dividindo o povo e enquanto eles ganham dinheiro às nossas custas, ficamos como otários discutindo uns com os outros nas mídias sociais. Temos muito o que aprender, não é mesmo?