domingo, 30 de junho de 2013

Projeto chamado de cura gay pode ser uma brecha jurídica para o proselitismo religioso segregalista


Depois de um desentendimento no inbox do Facebook com um religioso extremista, eu decidi postar o meu texto aqui no blog. Provo que não sou preconceituoso, pois no próprio Facebook eu havia conversado abertamente com um amigo evangélico. Porém, por causa de uma minoria, o clima nunca fica bom. Abaixo vocês podem ler minha opinião acerca do projeto da "cura gay" (que eu mesmo acho o nome ridículo e não tem nada a ver com a proposta).

"Desculpa a intromissão, amigos! E por favor não me entenda mal! Mas há pessoas divulgando fotos nas redes sociais, defendendo o Deputado Marco Feliciano, com textos diminuindo a gravidade do projeto de decreto, batizado de “cura gay” (também não concordo com o nome). Não falo dos que compartilharam e sim dos criadores dos posts. O projeto que foi colocado na pauta do dia pelo presidente (sim pelo Feliciano, que pode não ter sido o autor, mas como presidente, pode dar prioridades), tendo outros mais relevantes, é o seguinte:

Projeto de Decreto Legislativo 234/11
...
Art. 1º Este Decreto Legislativo SUSTA O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 3º E O ART. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999.

Art. 2º Fica SUSTADA A APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 3º E O ART. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

Art. 3º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

Eis o que acontecerá:

Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999
...
PERMANECE: Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

NÃO PERMANECE: Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

NÃO PERMANECE: Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

A permanência do artigo 3º possibilita o que é correto: não tratar como doença o que não é; e não forçar o tratamento de algo que não é doença. O Parágrafo Único, que complementava o caput e cerceava a proibição da prática em quaisquer ambientes, está sendo retirado, liberando os profissionais a se pronunciarem fora do ambiente ético da ciência. A saída do artigo 4º libera qualquer psicólogo de contrariar o artigo 3º, ou seja, se ele acha que homossexualidade é doença, ele poderá falar em público, se identificando como psicólogo. Pelas regras, o profissional tem que apresentar uma série de estudos para que suas hipóteses se tornem teoria e após isso, um fato comprovado. Estão abrindo as portas para os “achismos”, algo que os religiosos adoram. PSICOLOGIA É CIÊNCIA. Com essa iniciativa de alterar uma Resolução do CFP, os interessados na segregação dos gays, ganham um caminho para poder multiplicar seu preconceito sem ética.

Pois bem, além do fato de estarem causando conflito e subjetividade, a Comissão está simplesmente ignorando a opinião dos profissionais que mais entendem do assunto: os psicólogos. Por que fazem leis nesse país sem pedir a opinião dos profissionais que estudam para isso (em todas as áreas)?

Que haja sempre a liberdade religiosa para você falar o que quiser dentro de sua congregação e etc. Mas criar um dispositivo para favorecer religiosos e pessoas preconceituosas (como o Silas Malafaia e outros religiosos formados em Psicologia para ficarem falando abobrinhas onde quiserem) já é fora dos limites. Ora, se não acredita na Psicologia, mude de profissão, pois a mesma não tem religião. Seria a mesma coisa que um físico viesse a público desmentir Einstein sem comprovar o que está dizendo e se baseando no alcorão. Por que ao invés de ficar no “achismo”, já que é um cientista, o Malafaia não realiza um estudo para comprovar o que ele fala? Ficar de achismos bíblicos não comprova nada. Não passa de falácias religiosas, já que esse ramo se protege de questionamentos com a desculpa do "sagrado". A bíblia por si só é cheia de contradições (uma hora Deus mata, na outra ele te ama, etc). 

Na boa, muita gente do meio evangélico sabe que há pastores com filhos e filhas gays. Há também membros gays que por causa da desaprovação religiosa, entram em "curto-circuito" com sua natureza. Não será mera coincidência se daqui a 20 anos alguns líderes revelarem que são gays.

Desculpa tomar seu tempo, mas só quis comprtilhar a minha opinião!"

Complementando, deixo dois vídeos abaixo: no primeiro o Deputado Marco Feliciano se explica e no segundo o Deputado Jean Wyllys diz porquê é contra o projeto:


VÍDEO 1



O hilário nesse primeiro vídeo, foi ver o Deputado se dobrando por causa de votos, pois todos nós sabemos que ele acha gay doente, ou melhor, ele acha gay endemoniado. Não acredita? Pesquise nas pregações dele! Eleições 2014 vem aí meu povo e ele quer se reeleger!

VÍDEO 2



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